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O Missionário sendo “Evangelizado”

Por: Ray Harms Wiebe


Acabo de ser “evangelizado” por dois jovens americanos, pertencentes a uma seita espalhada pelo mundo afora. Começaram dizendo que queriam nos ensinar como a nossa família poderia ser eterna. Mostraram as fotos das suas famílias, cantaram um hino escrito em 1927 e fizeram uma oração simples. Em seguida, falaram sobre Deus Pai, Jesus Cristo, a função dos profetas e a pessoa do seu profeta principal. Finalmente, apresentaram, em poucas palavras, a grande revelação dada por Jesus ao profeta para restaurar a igreja nos últimos tempos. As duas horas e meia que passei assistindo a apresentação me fizeram refletir.

Em primeiro lugar, gostaria de destacar o que eu aprecio na vida deles. Eles falaram sobre seu amor por Jesus e seu desejo de ser obedientes a Ele. Pareceram-me comprometidos com a obra da sua igreja, ao ponto de dedicar dois anos da sua juventude à missão mundial. Disseram que andam pelas ruas de São Paulo (15 quilômetros por dia aproximadamente) fazendo discípulos, batizando seus convertidos por imersão e ensinando-os a sua doutrina. Com o desejo de mostrar o seu amor de forma concreta, ofereceram-se, várias vezes, para nos ajudar se estivéssemos precisando de alguma coisa. Disseram que a experiência estava transformando as suas vidas. Eram persistentes, pois eu não estava muito a fim de conversar com eles.

Desejo ser uma pessoa obediente a voz do Espírito, comprometida com a edificação da Sua igreja, zelosa pelo crescimento do Seu Reino. Quero abraçar a Grande Comissão: "Portanto, indo, façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei” (Mt 28.19-20a). Quero fazer discípulos consciente da autoridade de Jesus sobre todas as coisas (Mt 28.18b; Ef 1.20-23) e confiante na Sua presença contínua pelo Seu Espírito (Mt 28.20b).

Ao engajar-me na missão de Deus na terra, quero ser motivado por meu amor a Jesus, pois o Grande Mandamento é: “Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: Ame o seu próximo como a si mesmo.” (Mt 22.37-4). Desejo que o meu amor por Jesus me impulsione e que esta relação com Ele, transborde em amor verdadeiro ao próximo. Pessoas são ganhas pelo amor, não pelo discurso polido e erudito.

Agora, antes que os meus leitores pensem que estou prestes a tornar-me membro desta seita, permita-me destacar o que me incomodou. O discurso dos jovens foi uma apresentação totalmente desconectada de nós, os ouvintes. Eles não fizeram esforço nenhum para tomar conhecimento da atuação de Deus nas nossas vidas, anterior a sua visita. Fomos tratados como objetos a serem evangelizados e não como pessoas. Não nos enxergaram.

Também foi um discurso desconectado da vida deles. Depois de duas horas de discurso, minha esposa indagou-lhes a respeito das suas experiências pessoais com Deus. Como sabiam que estavam transmitindo a verdade? Não souberam responder. Quando ela falou sobre a sua experiência com Deus durante o último ano, ao encarar uma doença possivelmente fatal, ficaram abismados. Recitaram doutrinas, sem ter tido experiência com aquelas verdades.

Os jovens missionários também vivem, durante dois anos, alienados do mundo afora. Não podem assistir TV, ouvir rádio, nadar (praia jamais), namorar, etc. São permitidos a ligar aos pais, apenas duas vezes por ano. Uma vida regida por uma série de regrinhas farisaicas. Dizem que esta disciplina os ajuda a ficar focalizados. Eu diria que estão sofrendo uma lavagem cerebral.

Foi um discurso desconectado, mas os dois tinham que ir até o fim. Alias, foi uma das apresentações mais maçantes, mais ultrapassadas, mas enlatadas de toda a minha vida. O hino cantado, as ilustrações visuais de Jesus e dos profetas, a linguagem usada... parecia algo bolado em 1927 mesmo.

Os jovens estavam mal-preparados, pois leram quase tudo e, isto depois de mais de um ano de experiência, contando a mesma história todos os dias. Não conheciam as doutrinas mais básicas da Bíblia, mal conseguiam achar os textos que eu indiquei para ler. Quando perguntados sobre a veracidade do seu discurso, sempre diziam que bastava orarmos e Deus confirmaria para nós, pessoalmente, pelo Espírito Santo, a mensagem apresentada.

Ao conversar com eles, percebi que estavam inseguros em relação a sua própria salvação. Percebi que não viviam a missão de Jesus como estilo de vida. Estavam fazendo um sacrifício de dois anos como boa obra, com o intuito de salvar as suas almas, pois pregavam a salvação pelas obras. No fim, senti compaixão por eles, pois não sabem o que fazem, apesar de serem zelosos.

Enquanto eu escrevo, esta seita conta com 68.000 missionários, em quase todos os países do mundo, dedicando dois anos da sua vida, caminhando 15 km por dia, fazendo discípulos de um falso profeta. Quantos Irmãos Menonitas andam 15 km por dia, fazendo discípulos de Jesus? Quantos estariam dispostos a dar dois anos da sua vida em obediência a Jesus Cristo, num país de cultura e língua estranha? Quantos dariam as suas vidas?

Quero terminar com uma confissão. Este encontro foi fruto de uma conversa amigável na rua com os jovens americanos. Na verdade, havíamos marcado para conversar no sábado anterior, mas nossa família estava numa festa de aniversário, de um amigo que se converteu conosco há um ano. A festa foi muito agradável, mas os parabéns demoraram e, acabamos nos atrasando.

Ao chegar em casa, percebi que os jovens estavam subindo a nossa rua, mas já estava cansado, pois naquela tarde, no meio da festa, havia passado um bom tempo conversando com um Kardecista sobre a vida de Jesus e havia respondido as perguntas de um outro jovem sobre a física quântica e a possibilidade da existência de Deus. Foi um prato cheio numa tarde gostosa de verão paulistano.

Durante o janta, a nossa filha mais velha começou a chorar. “Pai, quando você deixou os jovens ir embora, sem falar com eles sobre Jesus, Deus falou comigo. Ele falou que eu deveria encorajá-lo a falar com eles e, eu não insisti.” Ela estavase sentindo responsável pelo destino eterno dos jovens, pois havíamos perdido a oportunidade de transmitir o amor de Jesus.

Conversei com ela sobre o meu dia, o diálogo com o espírita, as perguntas do jovem e, acabei confessando o meu pecado. Primeiro, não fui sensível ao Espírito Santo em relação aos jovens americanos. Segundo, não havia demonstrado amor. Por que? Bom, eu estava medindo o meu desgaste antes de envolver-me com eles e considerava-os fora do meu público-alvo. Quem sou eu para determinar os meus limites? Quem sou eu para determinar com quem eu falo de Jesus?

Oramos pedindo uma segunda chance e, enquanto orávamos, o telefone tocou. Eram os jovens americanos. Hoje, enquanto estávamos sendo evangelizados, as nossas filhas pararam de brincar e, espontaneamente, ficaram em oração. Espero que elas sejam missionários de Jesus. Talvez já sejam.

No fim da conversa, os jovens americanos agradeceram-nos pela conversa, pelos versículos bíblicos que indicamos, e por nossa atitude amiga. Falaram que pastores evangélicos normalmente os batem com um monte de versículos bíblicos, sem ouvir a voz do Espírito. Voltam daqui a duas semanas. O que Jesus faria?


25 a 28 FEV SEMANA DA LARGADA
06 MAR
REUNIÃO DIR. REG. SUL PR
09 MAR REUNIAO DE REG RS
13 MAR SEMINÁRIO "IGREJA E RESP. SOCIAL"
20 MAR REUNIÃO DIR. AMPLIADA


























































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