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A missão de Jesus como modelo para a nossa missão

Por: Arthur Dück
Diretor Faculdade Fidelis

Precisamos de modelos. O velho ditado: “nada se cria, tudo se copia” se aplica à maioria das áreas do conhecimento. Desde a costureira até o cirurgião, todos precisam de modelos que os ajudem em suas tarefas. Na obra missionária não é diferente. Todos estamos muito cientes de que se escolhermos o modelo errado teremos um resultado desastroso. Gostaria de propor que olhemos para Jesus como o modelo missionário a ser imitado.

A – O Modelo de Missões do AT

No AT temos uma missão mais passiva de Israel para com as outras nações. Israel não é chamado para ir converter as outras nações, mas para ser luz para os gentios e assim atraí-los para Deus. A sua maneira de viver deveria mostrar para as nações como vive um povo que tem o Deus verdadeiro como o centro de sua existência. Mas infelizmente isso aconteceu muito pouco em toda a sua história. Israel tinha sido chamado de forma especial por Deus para ser um povo diferente, um povo santo, um povo de sacerdotes (mediadores das bênçãos de Deus para as outras nações). A bênção para as outras nações viria desse “viver diferente”. Israel deveria ser um cano, um simples condutor/mediador das bênçãos para as outras nações, mas optaram por ser uma esponja, quiseram absorver todas as bênçãos para si. Isso trouxe grande desgraça para a nação. Um povo que não compartilha as bênçãos que recebe de Deus com outros povos, acaba morrendo. Uma igreja que não participa na obra missionária, deixa de ser igreja. “Portanto não cabe à Igreja decidir se ela quer fazer missão, mas ela só pode decidir se quer ser Igreja” (Vicedom 1996, 16)

Em 1 Sam 8 vemos como Israel tomou um rumo consciente na direção errada. Eles pediram que Samuel lhes desse um rei como o tinham as outras nações. O povo que fora chamado para ser diferente agora assume publicamente que quer ser como as outras nações. O resultado é catastrófico. Seguidamente vemos nos livros de Reis e Crônicas como a nação se desviava de Deus. A situação se complicou até o ponto que Deus precisou usar nações pagãs para ensinar a Israel. Eles foram levados para o cativeiro para aprender a não mais seguir outros deuses. Eles queriam ser como as outras nações ao invés de levarem o conhecimento de Deus para as nações. Assim sendo aprenderam a idolatria deles e conseqüentemente a sua ética. Em diversas situações se comportavam de maneira pior que as nações ao seu redor. Nesse sentido o AT não termina com o tradicional “e todos viveram felizes para sempre”. É como se o AT tivesse deixado o gosto amargo na boca de que a missão de Deus não seria executada. Mas isso tudo fazia parte dos planos de Deus. No tempo certo Jesus é enviado para reverter o quadro.

B – Missão de Jesus

Jesus veio para chamar a nação de volta a um relacionamento com Deus. Eles precisam sair da formalidade e do ritualismo para um relacionamento pessoal com Deus. Vida com Deus é relacionamento e não uma série de regras. Jesus é o missionário por excelência. Ele entende que foi enviado pelo Pai para buscar e salvar o perdido (Mc 10:45). Podemos dividir a missão de Jesus em alguns pontos.

2. Consciência de ser enviado por Deus – “Aquele que me enviou . . .” Toda missão precisa de alguém que envia e alguém que é enviado. Jesus menciona que foi enviado: “Quem vos recebe a mim me recebe; e quem me recebe recebe aquele que me enviou” (Mt 10:40). Aqui vemos Jesus fazendo 3 afirmações relacionadas à missão: há uma pessoa que envia – Deus; alguém que é enviado – Jesus; há uma relação próxima entre aquele que envia e aquele que é enviado. Em passagens como Jo 5:19-24 fica muito claro em outras passagens que o Pai é aquele que envia.

Jesus não veio passar as férias aqui na terra, mas para cumprir uma missão específica que o Pai tinha lhe passado. Essa relação íntima com o Pai fez com que não se desviasse de sua missão apesar das dificuldades. A 1ª manifestação pública de Jesus, quando tinha 12 anos e ficara no templo em Jerusalém, mostra isso: “Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?” Outra tradução talvez até melhor fosse “cuidar das coisas do meu Pai”. Logo Jesus via como prioridade em sua vida cumprir com a missão que Deus lhe tinha dado.

Deus Pai é aquele que toma a iniciativa da missão. Isso fica evidente em Lc 15. O Pai, como pastor, vai atrás da ovelha que se perdeu, deixando as 99 para trás (15:1-4); como a mulher que perdeu a moeda, procura a moeda perdida até encontrar (15:5-10); e depois como o pai que vai correndo ao encontro do filho que está voltando (15:11-32). Na parábola da festa de casamento, ele seguidamente envia os seus servos para convidar todos os que querem vir (Mt 22:1-14; cf. Lc 14:16-24). Fica muito evidente que o Pai toma a iniciativa da missão. O Pai toma a iniciativa de enviar Jesus que é o meio pelo qual ele vai realizar a sua missão.

3. Eu vim para cumprir a vontade do Pai – buscar e salvar o perdido. Jesus veio para cumprir a missão que o Pai deixou para ele. Para os judeus era comum que um Pai quando quisesse passar uma mensagem importante não mandasse um servo, mas o filho, de preferência o primogênito. Dentro desse contexto Jesus é apresentado como o único Filho do Pai celestial a quem foi confiada a missão vital de revelar aquele que o enviou e completar a obra de redenção em favor da humanidade.


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