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Seis dias incomunicáveis na selva Amazônica

Por: Keila Rempel
Asas de Socorro

“Que o próprio Senhor Jesus Cristo e Deus nosso Pai, que nos amou e nos deu eterna consolação e boa esperança pela graça, dêem ânimo ao coração de vocês e os fortaleçam para fazerem sempre o bem, tanto em atos como em palavras.” 2 Tessalonicenses 2.16-17

Eram 4h30min da madrugada quando despertei do meu sono leve com o comando de voz do Márcio dizendo para partirmos. Não estávamos fugindo de nada, mas estávamos a bordo do barco de Asas de Socorro juntamente com 12 adolescentes da Igreja Evangélica Menonita de Curitiba, o Pastor Ralf e sua esposa Patrícia, e nossa tripulação.

Tudo começou com um telefonema do Pastor Ralf expressando o desejo de proporcionar uma experiência missionária na Amazônia para o grupo Atos (Adolescentes Tementes e Obedientes ao Senhor). Do início do sonho até esse dia foram 18 meses de muita oração, empenho, sacrifício e disciplina dos adolescentes e da igreja para levantar os recursos necessários. Nós aqui em Manaus também nos empenhamos na organização e viabilização desse ousado projeto. Para isso trabalhamos em parceria com Igreja Presbiteriana de Manaus, que nos direcionou para as comunidades a serem atendidas.

O grupo todo era de 23 adolescentes e 3 líderes – Pr. Ralf, Patrícia e a Lisbete (Lis), que foram divididos em dois grupos. O projeto missionário atendeu a mais de 6 comunidades ribeirinhas do Rio Negro. A primeira equipe chegou no dia 5 de julho, passou 5 dias em treinamento depois prosseguiu para a viagem de barco dos dias 11 a 17. A segunda equipe chegou dia 13 em Manaus e depois do treinamento embarcou dia 17 no barco e retornou dia 24. No treinamento foram abordados assuntos como evangelismo, cultura, meio ambiente, saúde bucal, saúde da mulher, educação de filhos, meio ambiente e instalação de filtros de água (Asas de Socorro tem um projeto de filtros para comunidades que não possuem água potável). Contamos com a participação de toda equipe de missionários de Asas de Socorro do setor Manaus para que as duas equipes tivessem todo apoio. A união da equipe e empenho dos missionários foi muito especial tanto para os participantes como para nós como equipe de Asas de Socorro. Este ânimo e unidade de todos foi fundamenal.

Eu, Keila, juntamente com o Márcio meu esposo, e meus filhos Mathias (4 anos) e Larissa (2 anos) estivemos com a primeira equipe nesses sete dias no barco. Contamos com a presença do Pastor Daniel, missionário de Asas de Socorro e chefe da tripulação, e seu filho Daniel Neto que está terminando o Seminário esse ano. Na segunda equipe foram a missionária Mônica, o casal Andrés e Camila (de Anápolis), Pr. Daniel e sua esposa Flábia. A tripulação do barco era formada por duas cozinheiras, o comandante, e o ajudante de máquinas.

Nas comunidades o grupo realizou escola bíblica para as crianças, gincanas, evangelismo de casa em casa, cortes de cabelo, palestras sobre saúde, aplicação de fluor, distribuição de Bíblias, escovas e pastas de dentes e chinelos. Em meio a tantas atividades que eram simultaneas, Deus nos presenteou com a visita de botos, japiins (pássaro típico da região), bicho preguiça, macaco, jacarés e lindos nascer do sol e por do sol no Rio Negro. O mais importante, é que o principal objetivo do projeto foi alcançado – muitas pessoas entregaram suas vidas para o Senhor pela mensagem de esperança de Jesus Cristo. Foi maravilhoso ver até o Mathias pregando que Jesus morreu e ressuscitou.

Na comunidade de São Francisco do Bujaru, conhecemos um menino de 7 anos, de nome Carlos, mais conhecido como “Ducha”. Ele me disse que não ia para a pequena escola desta vila. Então fui até a mãe dele e a questionei por que ele não ia. A resposta simplista daquela senhora cortou nosso coração. Ela tinha muita vergonha, pois o Ducha não tinha o que calçar e roupas muito velhas. Apesar dos 7 anos ele era mais ou menos do tamanho do nosso Mathias de 4 anos. Separei o máximo de roupas que pude juntar e demos dois pares de chinelos para eles. Patrícia compadeceu-se e foi até a casa do Ducha para uma pequena visita. Lá deparou-se com uma realidade comum e ao mesmo tempo triste da pobreza da casa de 2 paredes, e de 2 panelas vazias sem ter o que comer. Poder levar um pouco de ajuda física e também o amor de Jesus Cristo é um sentimento que não conseguimos expressar em poucas linhas. A imagem mais marcante para nós, como um quadro pintado foi ver o Ducha debruçado no convés do barco com um olhar triste por nossa partida. Ver ele e sua pequena amiga Renata segurando a corda do barco para que não fôssemos embora, trouxe muitas lágrimas para nós como equipe.

Ao deixar os equipes no aeroporto, ficou uma certeza: Mais valioso do que qualquer viagem que se possa fazer, é aquela que você pode levar algo além de fotos e suvenirs. Tenho certeza de que esses grupos levaram em suas bagagens algo que ninguém jamais poderá tirar de suas vidas: A alegria de fazer parte para que almas fossem resgatadas do veredito fatal.


13 ABR Reunião DE – Reg. RS
13 ABR Pastoreio de pastores Reg. Sul PR
17 ABR Reunião Dir. Exec. COBIM
1 a 2 MAI Retiro de Homens Reg. Sul do PR
4 a 8 MAI Módulo Fidelis


























































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